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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Crise Mundial

Os mercados na Europa operam em ritmo volátil na manhã desta quinta-feira, caindo depois de abrir em alta. Às 10h30 da manhã (7h30 em Brasília), o índice FTSE-100 estava em baixa de 0,86%.

Espera-se nesta quinta-feira a divulgação de dados sobre a venda no varejo na Grã-Bretanha.

O índice Cac 40, da bolsa francesa, caía em 0,80% e o Dax, de Frankfurt, em 1,89%.

A atual tendência de queda segue o comportamento das bolsas na Ásia, onde os temores de que a crise financeira esteja levando o mundo para uma recessão continuam preocupando investidores.

Em Tóquio, índice Nikkei fechou em baixa de 2,5%, apresentando uma recuperção depois de ter chegado a 7% negativos durante as operações, refletindo temores de que uma redução das exportações japonesas possa acelerar a chegada da recessão no país.

O índice Kospi, da bolsa sul-coreana, caiu 7,4% - a queda mais baixa desde julho de 2005. Até agora, a bolsa coreana perdeu cerca de 45% no ano.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em queda de 3,6%, registrando as maiores baixas desde abril de 2005.

A queda nas bolsas da Ásia e Oceania é seguida de mais um dia de tensões do outro lado do planeta. Em Nova York, o índice Dow Jones fechou a quarta-feira em baixa de 5,7%, em 8.519 pontos, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq registrou uma queda ligeiramente menor, de 4,8%.

Segundo o analista da BBC Andrew Walker, as quedas agora não refletem tanto o temor imediato de mais quebras no setor bancário, como ocorreu nas últimas semanas, mas sim a preocupação dos investidores com a possibilidade de recessão em diversos países.

Informações de que o Yahoo e a empresa farmacêutica Merck estão cortando postos de emprego aumentaram ainda mais a tensão nos mercados.

Encontro do G20
Na quarta-feira, a Casa Branca anunciou que será realizada em Washington, no dia 15 de novembro, uma reunião de cúpula para discutir a economia global, com a presença de líderes do G20, o grupo formado pelos principais países industrializados e em desenvolvimento.

O objetivo do encontro será analisar a atual crise financeira e formas de evitar que ela volte a ocorrer.

"Os líderes vão avaliar os avanços que estão sendo realizados", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Segundo Perino, os líderes vão "chegar a um acordo sobre um conjunto de princípios em comum para reformar os sistemas regulatórios e institucionais dos setores financeiros mundiais".

Além dos líderes dos países do G20, inclusive do Brasil, o encontro deve ter a presença dos chefes do FMI e do Banco Mundial e do secretário-geral da ONU.

Antes do encontro em Washington, uma reunião de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G20 será realizada em São Paulo nos dias 8 e 9 de novembro.

Recessão na Grã-Bretanha
Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Gordon Brown traçou um panorama sombrio da economia mundial em uma sessão no Parlamento.

"Precisamos tomar medidas sobre a recessão financeira global, que deve causar recessão nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Alemanha, no Japão e, porque nenhum país pode se isolar disso, também na Grã-Bretanha", disse.

Os comentários de Brown ecoaram as declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, que havia advertido na terça-feira que a Grã-Bretanha "provavelmente" está entrando em uma recessão - um fenômeno definido por economistas como dois trimestres consecutivos de crescimento econômico negativo.

Na sexta-feira, o governo britânico deve divulgar um novo balanço do PIB do país, que pode confirmar o prognóstico.

ONU: cidades brasileiras têm maior disparidade de renda

As cidades brasileiras são as que apresentam a maior disparidade de distribuição de renda no mundo, segundo o relatório anual do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat).

O documento Estado Mundial das Cidades 2008/2009, apresentado nesta quarta-feira, cita o desemprego e o declínio dos salários nas áreas urbanas como algumas das razões para esse desempenho.

O relatório utiliza o coeficiente Gini (indicador que mede a concentração de renda de um país e indica desigualdade maior à medida que se aproxima de 1) para medir o nível de igualdade das cidades.

"A Colômbia e o Brasil são os dois países na América Latina com o maior coeficiente de Gini", disse a diretora do escritório regional para América Latina e Caribe do UN-Habitat, Cecília Martínez Leal.

"Várias cidades brasileiras apresentam coeficiente de 0,6, quando a linha de alerta internacional está em 0,4", disse Martínez Leal.

Entre as cidades com altos índices de desigualdade, ela cita São Paulo, Brasília e Fortaleza.

O fenômeno, no entanto, não é exclusivo da América Latina. De acordo com o documento, grandes cidades americanas, como Atlanta, Washington, Miami e Nova York registram níveis de desigualdade iguais aos de cidades africanas, como Nairóbi, ou latino-americanas, como Buenos Aires.

Segundo o relatório, as cidades com maiores níveis de igualdade estão localizadas na Europa, mas Pequim, na China, é considerada a cidade com maior nível de igualdade no mundo.

"A desigualdade representa uma ameaça dupla", disse Martínez Leal. "Tem um efeito amortecedor sobre o crescimento econômico e cria um ambiente menos favorável aos investimentos", afirmou.

Segundo a diretora, a desigualdade faz com que os novos investimentos em serviços sigam favorecendo os mais ricos.

Para Martinez Leal, para fugir a essa tendência é necessário que as políticas locais sejam dirigidas às zonas de exclusão.

Crescimento
De acordo com a diretora, o Brasil é um exemplo do que ocorre na América Latina, não apenas em relação à desigualdade, mas também ao rápido crescimento das cidades pequenas.

O relatório afirma que a região da América Latina e Caribe concentra o maior número de cidades desiguais do mundo e que a característica do desenvolvimento urbano no continente é o crescimento rápido de algumas cidades pequenas.

O Brasil e o México são citados como os principais exemplos desse crescimento rápido.

Conforme Martínez Leal, 70 cidades brasileiras passaram de pequenas a intermediárias nos últimos 15 anos. Ela disse que o desenvolvimento dos setores de turismo e indústria é uma das razões desse fenômeno.

Entre as cidades brasileiras que apresentaram crescimento rápido está Porto Seguro (BA), que passou de 95.721 habitantes em 2000 para 114.459 em 2008. Itaquaquecetuba (SP) também é citada, com um salto de 272.942 habitantes em 2000 para 334.914 neste ano.

Além do rápido crescimento das cidades, o documento afirma que a região da América Latina e Caribe também é a mais urbanizada do mundo.

Segundo o UN-Habitat, quatro das 14 megacidades do mundo estão no continente: São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México e Buenos Aires.

O relatório afirma que a população urbana da região é de 434,432 milhões de habitantes e que 27% da população latino-americana vive em favelas.

Harmonia
O relatório foi apresentado simultaneamente no Rio de Janeiro, em Londres e em Bangcoc e neste ano tem como tema a harmonia das cidades.

O documento traz dados e análises sobre o funcionamento das cidades e como a comunidade global pode incrementar sua habitabilidade e unidade.

Além da desigualdade e do crescimento das pequenas cidades, são abordados aspectos como emissões de carbono e mudanças climáticas.

"O relatório pretende compreender alguns fenômenos urbanos", disse Martínez Leal.

"Mais de 50% da população mundial vive em cidades", afirmou.

De acordo com o documento, "os níveis de urbanização global irão crescer dramaticamente nos próximos 40 anos, para chegar a 70% em 2050".

"Os problemas das cidades serão os problemas da humanidade", disse Martínez Leal.

O relatório cita entre os desafios das cidades nos países em desenvolvimento o fornecimento de água potável, serviços de saneamento, o tratamento de resíduos sólidos e a contaminação do ar.

Para Martínez Leal, o desafio dos governos é promover uma urbanização harmoniosa, com desenvolvimento igualitário e decisões que melhorem as condições de vida nas zonas de exclusão.

Segundo a diretora, os prefeitos não podem resolver o problema sozinhos. "Precisam trabalhar com os governos estaduais e federal", disse.

No entanto, segundo Martínez Leal, as cidades não representam apenas os problemas, mas também são parte das soluções.

A mesma opinião é expressada pela diretora executiva do UN-Habitat e subsecretária-geral da ONU, Anna Tibaijuka.

Segundo Tibaijuka, muitas cidades estão abordando os desafios e oportunidades "mediante a adoção de enfoques inovadores para o planejamento urbano e a gestão em favor dos mais pobres, respondendo às ameaças que apresentam a degradação do meio ambiente e o aquecimento global".